A Fundação Dr. António Cupertino de Miranda realizará no próximo dia 27 de Fevereiro, das 9h30 às 18h30, o Seminário Internacional “Porto, Cidade em Transição”, o qual contará com a presença do Senhor Secretário de Estado da Cultura, Dr. Jorge Barreto Xavier, e do Senhor Presidente da Câmara Municipal do Porto, Dr. Rui Moreira.
A Transição Portugal e a Transition Network colaboraram na elaboração do programa. Este seminário oferece aos seus participantes uma introdução ao Movimento de Transição a nível local, nacional e internacional, durante o qual todas as pessoas presentes podem imaginar um projeto de um ano e escolher algumas oficinas com elementos que as ajudarão a concretizá-lo.
A Fundação Dr. António Cupertino de Miranda pretende chamar a atenção para oMovimento de Transição, que é um movimento reactivo, enquanto resposta comunitária, da sociedade civil, ao reconhecimento da urgência de ação sobre duas condições essenciais que têm e terão impactos estruturais a curto-prazo na nossa organização sócio-económica e nos nossos modos de vida – o início do fim dos combustíveis fósseis baratos e o impacto humano nas alterações climáticas planetárias. Por outro lado, é também um movimento pró-ativo e catalisador, por procurar um paradigma e uma visão de prosperidade alternativas, diferentes do que tem sido habitual nas últimas décadas, e que incide sobretudo na ação ao nível local, dentro das comunidades, como parte possível e desejável da ação necessária para responder aos desafios que se põem ao nosso futuro próximo. Uma visão que passa por dois conceitos-chave: a resiliência comunitária e a localização.
O Movimento de Transição liga iniciativas locais em todo o mundo, muito diversas, partilhando entre si as aprendizagens de todos aspetos do trabalho comunitário numa rede que aprende, que partilha e que cresce.
Na véspera do Seminário, dia 26 de Fevereiro, das 15h30-18h30, a Fundação Dr. Cupertino de Miranda abre as suas portas para a pré-abertura com a projecção do Filme “In Transition 2.0” com dinâmicas reflexivas.
Inscrição (gratuita, mas obrigatória para ambos estes eventos) nesta ficha de inscrição.
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Informação complementar ao Seminário e respetivas oficinas:
SECÇÃO I – Informar/inspirar
Introdução sobre o Movimento de Transição por Filipa Pimentel, coordenadora da colaboração internacional dos hubs nacionais das Iniciativas de Transição.
A missão da Transição, como rede ou iniciativa é agir como catalisadora, com o objectivo de criar comunidades locais mais resilientes e com uma cultura humana saudável.
A acção das Iniciativas de Transição (IT) faz-se a diversos níveis sendo que, em cada local, as necessidades e as soluções são diferentes. Por isso, diferentes pessoas e diferentes Iniciativas de Transição complementam-se em acções e resultados diversificados e abrangentes, todos no mesmo sentido.
Na secção I, deste seminário, serão apresentadas três Iniciativas de Transição diferentes, e os seus interlocutores vão falar do seu grupo e do trabalho que têm desenvolvido na comunidade local, sendo elas:
Monteveglio Città di Transizione, Itália, por Cristiano Bottone, co-fundador da rede Italiana de Transição e da Iniciativa de Transição de Monteveglio, a primeira Iniciativa de Itália.
Not more, not yet - fear and opportunity in the time of transition(Não mais, ainda não – medo e oportunidade em tempos de transição) - Como podemos aprender a liderar com a grande mudança que estamos a enfrentar a nível pessoal e colectivo numa comunidade, mas também ao nível político, administrativo e institucional?
Serão dados exemplos concretos de várias iniciativas Italianas para se mostrar quais os elementos que fazem uma diferença substancial nas camadas diferentes das nossas estruturas sociais e organizacionais. Exemplos interessantes que poderão inspirar acção no contexto pessoal de cada ouvinte.
Aveiro em Transição por Andreia Ruela e Coimbra em Transição por Sara Rocha
Acção de cidadania: pessoas comuns com desejos de mundo envolvidas na construção da comunidade local
Como poderão os cidadãos e as entidades de poder local colaborar, e complementarem-se, de forma a construírem lugares prósperos, vibrantes, plurais e resilientes? Como materializar e apoiar os sonhos que povoam cada um de nós em acções concretas e transformativas?A partir das experiências locais de Aveiro e Coimbra, é apresentada uma reflexão sobre os principais desafios que estas pessoas encontram na sua jornada de participação, bem como propostas de colaboração entre iniciativas de cidadania, entidades locais e outras organizações.
SECÇÃO II - Sonhar/planear
Seguindo o exemplo do que se tem feito em muitas iniciativas e projectos locais, os participantes deste seminário são convidados a participar numa dinâmica em Espaço Aberto (Open Space Technology), com o desafio de imaginar um futuro mais resiliente para o Porto e lançar discussões sobre como iniciar esse processo, a nível individual, de grupo e de comunidade local.
Esta dinâmica será facilitada por David Avelar e Patrícia Paixão
SECÇÃO III - Caixa de ferramentas/recapacitar
Um dos grandes objectivos da rede de Iniciativas de Transição é a de “experimentar” e de criar as condições para que as experiências, conhecimentos, técnicas desenvolvidas e capacidades sejam partilhadas com qualquer pessoa ou grupo que trabalhe para tornar a sua comunidade mais resiliente.
Esta secção foi pensada de forma a criar um espaço em que as Iniciativas de Transição de todo o país possam partilhar o que já foi desenvolvido nos seus grupos (técnicas de transição, experiências, conhecimentos, reflexões, etc.) com os participantes da conferência, tendo como interesse particular a capacitação para o trabalho local e para a resiliência das comunidades.
Esta secção será dividida em duas partes com várias oficinas em simultâneo. A lista de oficinas estará disponível antes e durante o seminário e os participantes poderão inscrever-se em qualquer momento, mediante o limite de lugares disponíveis para cada uma delas.
Pode consultar as biografias dos oradores e facilitadores da sessão aqui!
Resumos das oficinas
(1) AJUDADA: a inspiração da economia da dádiva para o desenvolvimento local
Luís Bello Moraes, Filipa Pimentel e Annelieke van der Sluijs
Tipo de oficina: conversa/reflexão
Duração: 45 minutos
Limite de participação: não há
O encontro da AJUDADA decorreu em Junho de 2013 em Portalegre. Organizadores e participantes tiveram em mãos o desafio de explorar o potencial da economia da dádiva, quer durante a sua preparação quer durante o próprio evento. Juntos tentaram responder à pergunta: O que podemos conseguir quando partilhamos os recursos e as capacidades que existem na nossa comunidade de modo a que todos tenhamos um papel activo na criação dum futuro próspero?
Todo o processo de organização, que decorreu durante os 6 meses que precederam os 3 dias do evento, foi muito coerente no que diz respeito ao espírito da dádiva, e na experimentação inovadora aplicada a dinâmicas de co-organização (de forma orgânica) por parte da própria comunidade local. Este processo inspirou todos os envolvidos, num modelo de co-responsabilidade, a contribuírem de acordo com a sua vontade e disponibilidade, tendo as contribuições sido tão diversas, tanto em forma como em quantidade, como diversos foram os participantes.
A AJUDADA foi um evento marcante por ter permitido vislumbrar uma outra forma de viver o dia a dia em que a confiança e a alegria de dar e receber, de construir em conjunto, passam a comandar as nossas acções.
Nesta oficina vamos partilhar as experiências com a organização deste evento para alimentar uma conversa sobre o significado da economia da dádiva e dos próprios processos participativos de desenvolvimento local.
Balanço resumido dos recursos envolvidos na AJUDADA
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(2) Três perguntas sobre REconomia – um caso Italiano
Cristiano Bottone
Tipo de oficina: Breve apresentação seguida por conversas em grupos (World Café)
Duração: 45 minutos
Limite de participação: 50
Vou contar-vos a história de uma experiência de REconomia numa comunidade na Itália, e sobre quatro perguntas que dela emergiram. Só passados alguns meses constatámos quão importantes estas perguntas eram, daí a minha vontade de partilhar esta experiência e o significado profundo destas perguntas.
A primeira pergunta era sobre Avaliação Económica de um território e a sua comunidade, as outras três perguntas são sobre “entender o cenário”, “assegurar diversidade” e “acesso ao conhecimento”. Depois de contar a história, vamos colaborar para encontrar possíveis respostas.
(Nota: REconomia neste momento está a desenvolver-se como metodologia completa, para oferecer a municípios e Câmaras Municipais, para enfrentar os desafios da nossa época)
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(3) Um Ano em Transição: Encorajar jovens adultos a encontrar o seu papel na economia local
Andreia Ruela (Aveiro em Transição) e Annelieke van der Sluijs
Tipo de oficina: apresentação com conversa
Duração: 45 minutos
Limite de participação: não há
O programa “Um ano em Transição” (One Year in Transition) nasceu há três anos na Inglaterra, para envolver mais jovens adultos na Transição a apoiá-los a criar o meio de subsistência que desejam, simultaneamente empoderando?os a criar uma mudança positiva e sustentável nas suas comunidades. Neste momento, estamos a adaptar este programa para o contexto português.
Os participantes deste programa vão planear e concretizar a sua própria jornada apoiado por mentores, algumas semanas de formação e, muito crucial, aprofundando e expandindo as ligações com pessoas e entidades locais. Colaborando com pessoas que conhecem bem a realidade socio-económico e ambiental do local, e que podem apoiar com questões que ultrapassam a capacidade de um indivíduo, aumenta-se a probabilidade de benefícios mútuos deste percurso.
Depois da apresentação da base deste programa, vamos entrar numa exploração sobre como projectos como estes podem apoiar o desenvolvimento local, e como entidades numa comunidade podem tornar-se catalizadoras deste processo, ao mesmo tempo criando melhores condições para o seu próprio funcionamento.
Proposta de base 1AT/REconomia
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(4) Avaliação Económica Local – “Blueprint”
Cristiano Bottone, Filipa Pimentel e Luís Bello Moraes
Tipo de oficina: apresentação com conversa
Duração: 45 minutos
Limite de participação: Não há
O processo de Avaliação Económica, o qual designamos por MEL - Mapa da Economia Local - foi ensaiado em 3 comunidades inglesas em Transição: Totnes (market town – pequena cidade comercial), Hereford (rural) e Brixton (centro urbano). Este trabalho faz parte do projecto - “REconomy” - da Transition Network e todos os resultados dos 3 projectos piloto podem ser consultados aqui:
www.reconomy.org/evaluate-the-economic-potential-of-your-new-economy.
Estes projectos constituem a base para um processo genérico e replicável que pode ser usado para estimar o potencial de sectores de qualquer economia local, (nova ou recente), primariamente em termos de valor económico quantitativo, mas também explorando benefícios sociais e ambientais.
Para a concretização deste objectivo é essencial o envolvimento de entidades locais que tenham uma relação de proximidade com a realidade sócio-económica e ambiental do concelho, nomeadamente no que toca aos temas a abordar neste projecto. Este envolvimento resulta numa contrapartida positiva, em que todos saem a ganhar.
Metodologia simplificada para Avaliação Económica
A necessidade de ter uma metodologia de avaliação fácil ao nível local surgiu durante a primeira experiência REconomia na Itália. Cidadãos, poder local, empresas, todos precisam de uma visão clara sobre o funcionamento da economia no seu território. Foi assim que a Transition Italia, em parceria com a Associação de Municípios da província Emilia Romagna e o consórcio universitário CURSA, num projecto do Ministério Italiano do Ambiente, decidiu desenvolver uma forma de agregar e apresentar dados para criar uma visão quantitativa da situação económica atual de forma acessível, fácil de aplicar e implementar a baixo custo. A metodologia neste momento encontra-se numa fase de teste em três municípios e podem funcionar como inspiração para projectos semelhantes por toda a Europa.
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(5) Um Caminho Incontornável de Ser Humano
José Soutelinho
Tipo de oficina: jogos/dinâmicas de grupo com reflexão
Número máximo de participantes: 20
Duração: 2x45 minutos
Porque é que criamos resultados que ninguém deseja, seja na Ecologia, na Economia, na Justiça, na Saúde, na Educação, na Política, etc?
Por mais sucessos e boas práticas locais que encontremos, os resultados globais não são atraentes nem os pretendidos - à escala nacional, europeia e planetária.
Se todos estes sistemas sociais são desenhados por Humanos para servir os Humanos em harmonia com a Natureza, é visível que precisamos de um Novo Ser Humano capaz de criar novas realidades individuais e colectivas.
Precisa-se percorrer um caminho individual (Transição Interior), estabelecer ambientes de partilha, reflexão e decisão (Diálogo) e construir novas realidades através da Acção (Métodos Colaborativos) -
e tudo isto nutre a realidade da Transição Exterior.
Nesta oficina vamos dar mais corpo a esta necessidade e mapear estas dimensões da Transição Interior, do Diálogo e dos Métodos Colaborativos.
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(6) Parcerias comunitárias
Luís Pereira e Clara Nogueira (Viver Telheiras)
Tipo de oficina: jogo/dinâmica de grupo - encenação - com reflexão
Duração: 2x45 minutos
Limite de participação: 40
Esta oficina será um espaço de reflexão sobre a importância das parcerias na intervenção comunitária. Nela pretende-se explorar colectivamente as diferentes formas que as parceiras podem assumir; os processos de formação do grupo; os vários tipos de parceiros e os papéis que desempenham (poder local, associações, IPSSs, grupos informais, cidadãos); e os factores que facilitam e/ou bloqueiam os processos de trabalho conjunto na comunidade.
O contributo de todos os presentes e a troca de experiências serão fundamentais para que esta oficina possa ser um momento catalisador de novos projectos em parceria por parte dos presentes.
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(7) Semear Alternativas - Experiências facilitadoras de (trans)acções
Antónia Silvestre e Rosa Carreira (Covilhã em Transição/CooLabora)
Luís Tiago e José Pedro (Ecosol, Porto)
Sara Moreira e Filipa Almeida (AMEP – Moving Cause, Porto)
Tipo de oficina: jogos/dinâmicas de grupo - simulação - com reflexão
Duração: 2x45 minutos
Limite de participação: 40
O caminho para preparar as sementes necessárias para fortalecer o empoderamento do indivíduo, fomentar a fraternidade e os valores comunitários através da criação de trocas de saberes, produtos e serviços e experiências com moedas social/solidaria/alternativa.
Partilha de experiências com duas moedas locais (o Tear da Covilhã e o Ecosol do Porto), dinâmicas de grupo para apoiar a introdução de iniciativas de troca e dádiva e simulação da moeda Ecosol baseado no caso da rede AMEP, que promove a produção e consumo local de bens alimentares.
A moeda Ecosol
O EcoSol é uma moeda virtual, local, para o desenvolvimento de uma economia solidária no Porto. É criada de forma transparente e baseada na confiança e compromisso dos seus participantes. É solidária pois surge da própria comunidade e é utilizada de forma a atingir fins comunitários fundamentais, que permitam aos seus membros o acesso a uma qualidade de vida digna, cobrindo necessidades de alimentação, vestuário, saúde, educação, etc. Estas capacidades desenvolvem-se através da implicação comum na criação do bem-estar, já que a Ecosol permite fazer intercâmbios individuais e colectivos de forma local e livre, de forma directa (troca clássica) ou indirecta (entre diferentes pessoas em distintos momentos e por produtos, serviços e saberes de diferente valor)
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(8) Transição no contexto profissional
Mónica Barbosa (Casa Verde)
Tipo de oficina: jogo/dinâmica de grupo e individuais com reflexão
Duração: 2x45 minutos
Limite de participação: 9
Precisamos de fazer de conta que não estamos a destruir o nosso planeta para manter os nossos hábitos de vida.
Que emoções desperta esta tomada de consciência?
Como lidamos com elas?
Que impacto tem esta consciência no desempenho da nossa profissão?
Que soluções podemos encontrar para implementar no nosso contexto profissional?
Uma oficina que, através de várias dinâmicas de grupo e individuais, irá terminar com planos concretos para cada pessoa no seu contexto profissional.




